Já está quase a fazer um ano desde que fiz a viagem e, portanto, é uma boa altura para terminar o relato. Claro que fica muito por contar, mas também ficou muito por ver. Gostaria muito de lá voltar.

Como é o último post, gostava de falar um pouco do povo japonês que encontrei. Apesar do que eu já conhecia da cultura japonesa graças aos animes e às mangas, tinha ouvido rumores de que os japoneses não tratavam bem os estrangeiros. No entanto, o povo que encontrei é de uma simpatia enorme. Tirando os senhores dos bares que nos diziam “sorry sorry no english”, todos os japoneses com quem falámos foram super simpáticos e atenciosos. E tive bastantes oportunidades para exibir o meu ridículo japonês.

No sopé do monte Fuji, vendo dois jovens ocidentais de mochilas gigantes às costas com ar perdido, uma senhora idosa que vinha na sua bicicleta, mesmo não falando uma palavra de inglês, resolveu parar e perguntar se precisávamos de ajuda. Vá lá que o japonês da rapariga era suficiente para perguntar para que lado era o onsen (=p). Tive várias oportunidades de usar a frase “doko desu ka?” (como se vai para?), seguindo-se o problema de perceber a resposta. Outra expressão que utilizei muito foi “atsui, desu o ne?” (tá muito calor, não está?), já que os senhores das bilheteiras gostavam sempre de comentar o tempo.

Também apanhámos quem soubesse falar inglês e muito bem. Tanto em Kamakura como em Hiroshima encontrámos senhores já com idade para estarem reformados, mas com um aspecto bastante educado e intelectual, em locais turísticos. Estes senhores, em vez de ficarem em casa a morrer em frente à televisão, vão para os locais importantes das suas terras e fazem de guias turísticos grátis e dão mapas aos turistas. Graças a eles, reparámos em pormenores e fomos a locais que não descobriríamos sozinhos. Outra oportunidade para falar em inglês foi em Kamakura, quando perguntámos direcções a um casal jovem que nos convidou para seguir com eles, já que íamos na mesma direcção. Assim, lá fomos nós, eu debaixo da sombrinha da senhora, a comentar os filmes Ghibli e o realizador Hayao Miyazaki.

Recordarei para sempre com carinho: o rapaz simpático num bar em Quioto que nos pagou uma rodada de pequenos peixes fritos (que constava que iam muito bem com o sake que estávamos a beber); o cozinheiro num restaurante de noodles que, para perguntar de que país vínhamos, bateu no peito dizendo “me japan” e apontanto para nós perguntou “you?” (Portugal! \o/); a senhora do onsen que, ao recuperar a carteira perdida do meu amigo, gozou com a fotografia do BI dele dizendo que não está nada parecido.

 Bem, vou então terminar apenas com algumas curiosidades e pequenas coisas que não deu para incluir nos posts anteriores:

– As cigarras berram como se não houvesse amanhã. a sério. eu sempre pensei que eles nos animes exageravam no som, mas não.

– Pedir comida num restaurante pode ser um desafio quando não há menu em inglês (o que é a maioria das vezes). a maioria dos menus são umas cartas gigantes com fotos, portanto o problema aí resolve-se apontando. Outras vezes, os restaurantes têm uma montra com modelos de comida em plástico – nesses casos é uma questão de decorar mais ou menos os caracteres e depois lá dentro apontar para a lista e rezar para estar a apontar para o sítio certo. Os restaurantes mais pequenos têm ainda o sistema de tirar senhas na máquina e depois entregar ao senhor, o que torna a escolha ainda mais complicada e acabamos por escolher pelo preço em vez de ser pelos caracteres.

– Os telemóveis são todos iguais: rectangulares e desdobráveis. E a moda das phonestraps é assustadora.

– As meninas que vendem snacks nos comboios fazem vénias de cada vez que entram ou saem de uma carruagem.

– Em Osaka os comboios tinham carruagens que em horas de ponta eram reservados só para mulheres. Porquê? A minha teoria é que é para evitar os assédios.

– As portas dos táxis abrem-se automaticamente! (pelo menos em Tóquio! e andar de táxi não é nada barato -.-‘)

– Confirma-se que ainda passam filmes de power rangers nos cinemas.

– Todas as sanitas (hostels, restaurantes, museus, locais públicos) têm botões… Servem para ajustar os esguichos de água e a sua temperatura. Há também muitas com um barulho automático de água a correr para disfarçar os sons embaraçosos…

– Hello Kitty, Pikachu e Doraemon estão em todo o lado.

– Há pouquíssimos caixotes do lixo na rua. Como nós temos caixotes do lixo, eles têm máquinas de bebidas. Resultado: temos que andar quilómetros com a garrafa de água vazia até a conseguirmos deitar fora. No entanto, as ruas são muito limpas.