Nos bairros das casas de chá em Quioto, a tradição ainda é bem próxima daquilo que era antigamente. Os clientes das casas de chá são homens ricos e influentes e as casas reservam-se o direito à admissão: não é qualquer um que pode entrar. Nestas casas, os clientes são entretidos por geikos ou maikos, consoante a sua preferência e o dinheiro que têm para gastar.

As geikos, a que o restante mundo chama de geixas – nome que elas não gostam, pois associam as geixas à prostituição – são acompanhantes profissionais. Entretêm os seus clientes recorrendo às artes tradicionais: servem o chá, dançam, fazem várias habilidades com leques e pentes e, o que é mais difícil, têm conversa. Uma geiko não precisa de muitos adornos: usam uma cabeleira, não se pintam muito, usam quimonos de cores sóbrias e não precisam de ganchos complicados no cabelo. Quando passam na rua, onde dezenas de turistas as tentam fotografar, vão em passo acelerado e não falam com ninguém.

As maikos são aprendizes de geiko e têm uma vida difícil. Vivem em dormitórios onde têm aulas com geikos. O dinheiro que ganham com os clientes serve para pagar a educação e o local em que dormem, restando-lhes apenas as gorjetas. Como não são profissionais, precisam de mais adornos. Usam quimonos de cores garridas e ganchos complicados no cabelo e pintam-se muito. A pintura atrás do pescoço é considerada particularmente sexy. Não podem usar perucas e o penteado complicado é feito apenas uma vez por semana, pelo que não podem lavar o cabelo e têm que dormir naquelas famosas almofadas onde apoiam apenas o pescoço.

Bastante mais fáceis de fotografar são as turistas que pagam (e bem) para se vestirem de maikos por um dia e passearem por Quioto com um guia. Nós também fizemos o passeio pela zona de Gion (que é como se chama o bairro das casas de chá por onde andámos) com uma simpática guia japonesa do hostel em que estávamos hospedados. No nosso caso, o passeio foi sem eu me vestir de maiko e foi bastante barato – que é como quem diz à borla =p

Para terminar os pontos turísticos de Quioto falta apenas falar da zona de Arashiyama. A ponte de Togetsukyo – a travessia da lua – sobre o rio Katsura é uma ponte histórica, originalmente em madeira e hoje em dia de betão disfarçado.

Do lado de lá, na encosta do monte Arashiyama, encontra-se o Iwatayama Monkey Park. Neste parque, há que subir! Subir, subir, subir. “Atsui desu yo ne?” comentou a senhora a quem comprei os bilhetes. Ah pois. E uma vez chegados lá acima, descansamos dentro de uma casinha com ar condicionado e macacos pendurados nas janelas. Ai, boa vida, ter alguém que nos cate os bichos do pêlo.

Já recompostos, há que tirar fotos à vista sobre a cidade de Quioto e demonstrar que os macacos andam em liberdade e que não ligam nenhuma ao pessoal.