O nome Ghibli vem do nickname italiano para os aviões de reconhecimento utilizados na Segunda Guerra Mundial. O que pode isso ter a ver com um estúdio de animação? Bem, o nickname do avião vem da palavra que na Líbia quer dizer “vento quente que sopra sobre o deserto do Sara”. Com a pronuncia japonesa, ficou Ghibli e a ideia seria o estúdio soprar um novo vento na indústria do anime.

Eu sou uma grande fã deste estúdio. Não só é sinónimo de qualidade de animação, como as histórias são únicas e especiais para mim. O objectivo desta série de posts será falar um bocadinho de cada um dos filmes por ordem cronológica. Como ainda me faltam alguns filmes para terminar a colecção, terei que saltar alguns anos.

Nausicaa of the Valley of the Wind

Outros títulos: Kaze no Tani no Nausicaa

Ano: 1984

Realizador: Hayao Miyazaki

Resumo: Num futuro apocalíptico, grandes áreas do mundo foram ocupadas por florestas venenosas de fungos. Os humanos vivem perto dos fungos e dos monstruosos insectos que habitam nessas florestas e tentam evitar que eles se espalhem. Um dos reinos, o pacífico Vale do Vento, sofre uma grande reviravolta quando são invadidos pelas máquinas e naves dos seus belicosos vizinhos. Mas Nausicaa, a princesa do Vale, tem um potencial escondido que poderá mudar o mundo.

Pensamentos: A história baseia-se em princípios ecológicos, onde aquilo que parece horrível a princípio é, na verdade, apenas parte da natureza. É o filme Ghibli com a pior animação, não fosse ele o mais antigo e é baseado na manga com o mesmo nome do próprio Hayao Miyazaki. É uma história politicamente correcta, mas ainda assim com o brilho do senhor Miyazaki. Temos aventura, moral, cenários boniros e variados e bicharocos curiosos. No entanto, prefiro as histórias mais complexas do Miyazaki. Outros elementos engraçados são o aparelho que a Nausicaa usa para voar, que parece uma asa delta, e o seu fofo bicharoco de estimação.

 

Laputa: Castle in the Sky

 

Outros títulos: Tenkuu no Shiro Laputa

Ano: 1986

Realizador: Hayao Miyazaki

Resumo: O filme começa com Sheeta, uma rapariga de tranças, que cai do céu e aterra nos braços de Pazu, o filho do homem que conseguiu fotografar o lendário castelo flutuante Laputa. Atrás dela e da pedra misteriosa que trás ao pescoço vêm piratas do ar, militares e um homem misterioso com muito más intenções.

Opinião: Uma aventura fantástica com óbvias influências das criações de Júlio Verne. Desde túneis subterraneos com minerais brilhantes, passando por fortalezas e indo até às nuvens em máquinas voadoras, é a procura de um lugar misterioso que ninguém acredita que existe. Muita aventura, uma pitada de romance e cenários bonitos. Bons e maus misturam-se, como acabou por ser um hábito deste realizador, e temos uma Atlantida dos céus muito bem pensada. Pode ser um filme velhinho, mas vale a pena espreitar.

 

O Túmulo dos Pirilampos

 

Outros títulos: Hotaru No Haka, Grave of the Fireflies

Ano: 1988

Realizador: Isao Takahata

Resumo: No final da 2ª Guerra Mundial, Seita – um rapaz de catorze anos – e a sua irmã Setsuko – de quatro anos – ficam órfãos quando a sua mãe é morta durante um ataque aéreo das forças americanas sobre a cidade de Kobe. Depois de as coisas não resultarem com a sua tia, as duas crianças mudam-se para um abrigo de bombardeamentos abandonado. Sem parentes vivos que cuidem deles, sem comida e sem dinheiro, as crianças lutam para sobreviver num país desvastado pela perda numa guerra.

Opinião: Isao Takahata distingue-se de Miyazaki pelos temas realistas e terra-a-terra dos seus filmes. Este filme é um retrato comovente dos efeitos da guerra no povo japonês, em especial nas classes mais desfavorecidas. Animação antiga, mas cuidada, é um filme que é já um clássico.

My Neighbour Totoro

 

Outros títulos: Tonari no Totoro

Ano: 1988

Realizador: Hayao Miyazaki

Resumo: Duas raparigas, Mei e Satsuki, mudam-se para uma nova casa com o pai para ficarem mais perto do hospital em que a mãe delas está internada. O quintal da casa fica junto da floresta onde moram três Totoros, deuses da floresta

Opinião: Possivelmente o mais original dos filmes Ghibli. Nada de histórias complicadas ou grandes aventuras, apenas a vida alegre de duas crianças, cheias de risos e choros, e do mundo mágico da floresta que elas descobriram. É um filme repleto de amor inocente, de situações e criaturas caricatas, dignas de um País das Maravilhas, e de uma alegria contagiante. A famosa cena da paragem de autocarro à chuva já correr o mundo. Um dos Totoro é agora o logótipo do estúdio, e quem não gostaria de ter um como animal de estimação? Estas criaturas são sem dúvida o símbolo da Ghibli.

Kiki’s Delivery Service

 

Outros títulos: Majo no Takkyuubin, Witch’s Express Delivery

Ano: 1989

Realizador: Hayao Miyazaki

Resumo: Quando uma aprendiz de bruxa faz 13 anos, ela deve sair de casa e procurar uma cidade onde começar a praticar o seu ofício. Apesar de voar com a vassoura ser a única magia que a Kiki sabe fazer, quando faz os 13 anos decide partir com o seu gato preto Jiji. Estabelece então, numa cidade à beira-mar, um serviço de entregas. Mas trabalhar tem as suas dificuldades e responsabilidades.

Opinião: O que dizer? É simplesmente adorável. Ver como cresce uma bruxinha de preto com um enorme laço vermelho sentada na sua vassoura com o seu gato preto. Pequenas e inocentes aventuras e encontros que, mesmo simples, tocam, encantam e nos fazem pensar.